Lisboa vai oferecer triatlo “único” em Portugal

  • UNANIMIDADE EM VÉSPERAS DE ARRANQUE DO MÉDIS 2016 LISBON ETU TRIATHLON EUROPEAN CHAMPIONSHIP

 

“Um triatlo único no Mundo”. Palavras do cinco vezes campeão mundial de triatlo Javier Gomez Noya durante a conferência de lançamento do Médis 2016 Lisbon ETU European Championship, hoje ao final da manhã, em plena pista do MEO Arena, referindo-se ao Campeonato da Europa de Lisboa que começa amanhã com as provas de Age Groups e Paratriatlo e que se prolonga até domingo, com o ponto mais alto no sábado, com as provas de elites masculina e feminina.

A opinião do categorizado campeão espanhol, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, é partilhada por todos os atletas presentes no encontro com a Imprensa, com os portugueses João Pereira, Miguel Arraiolos, João Silva e Melanie Santos mais a holandesa Rachel Klamer a alinharem pelo mesmo raciocínio. João Silva, que estará com João Pereira e Miguel Arraiolos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em Agosto, encontrou uma forma divertida de colocar a questão, provocando uma gargalhada geral:

“Cortar a meta aqui, ou mais ou menos ali…[apontando para uma zona da Arena], com toda esta atmosfera, no sítio onde esteve a Britney Spears, já é uma sensação espectacular.”

Fernando Feijão, presidente da Federação de Triatlo de Portugal, também partilha de uma certa euforia no que diz respeito a este Europeu, o “maior desafio” da sua vida.

“Este foi apenas o maior desafio da minha vida desde que me recordo, há 60 anos. Este Campeonato da Europa é o expoente máximo do Triatlo na Europa. É um cenário único. E também os atletas aceitaram o desafio. Cerca de 2000 atletas inscritos, o que fez com que a participação supere as nossas expectativas. No último Campeonato da Europa, neste mesmo local, tivemos cerca de 800 participantes e agora temos mais do dobro”, assumiu Fernando Feijão.

Quanto a expectativas de resultados, também se percebeu uma certa unanimidade numa abordagem em que a prioridade máxima passa pelos Jogos do Rio de Janeiro. Perspectiva partilhada pelo presidente da Federação de Triatlo de Portugal, que quer transformar este Europeu numa festa do “Triatlo para todos”.

“Espero que os atletas superem as expectativas que têm, que se divirtam, foi para eles que fizemos todo este esforço e este trabalho que está à vista.”

Também o mais cotado atleta presente na competição, Javier Gomez Noya, não quis falar em objectivos que não fosse o de avaliar o próprio momento competitivo.

“O mais importante não é vencer, mas sim sentir-me bem. Tentarei ficar o mais à frente possível porque se isso acontecer, significa que estarei em boa forma. Este ano ainda não fiz nenhuma prova da ITU pelo que não sei muito bem o que esperar. De resto, parece que vai chover o que pode complicar um pouco as coisas na bicicleta, pelo que teremos de ter cuidado para não cair.”

Rachel Klamer, a holandesa que ocupa o sétimo lugar do “ranking” de pontos da ITU e, como tal, é a atleta de Elite feminina mais cotada deste Campeonato da Europa, também reforçou o fascínio de um evento que tem o MEO Arena como o centro de toda competição.

“É muito especial voltar aqui. É a minha segunda corrida em Lisboa, embora nem me lembre bem dos pormenores da primeira, tenho uma boa ideia do barulho da multidão. Espero fazer uma boa corrida e estou entusiasmada para conseguir um bom resultado“, admitiu.

Entre os portugueses, João Silva prometeu “o melhor possível”, sem se comprometer com resultados numa prova que servirá de um teste competitivo para o objectivo maior da época, os Jogos Olímpicos do Rio:

“É uma boa oportunidade para aferir como estamos, mas a proximidade da prova com os Jogos Olímpicos ainda não vai afectar.

Um bom resultado seria terminar com a consciência que fiz o melhor possível.”

Miguel Arraiolos, que garantiu há pouco mais de uma semana, a qualificação olímpica para o Rio de Janeiro, assumiu ser provável pagar a factura de algum desgaste:

“Tive uma temporada longa, com a cabeça mais focada na qualificação. Não estou a pensar em resultado. O objetivo é viver o momento e o dar o meu melhor. Provavelmente não vou estar nas melhores condições e é viver a prova e o público. Vou partir com tudo o que posso, sem pensar no resultado.”

Percurso semelhante teve Melanie Santos que lutou até à última pela oportunidade de atalhar o seu percurso evolutivo, apontado a Tóquio 2020, e quase conseguiu um lugar no Rio de Janeiro.

“Tive um período competitivo muito intenso na procura da qualificação olímpica e infelizmente não consegui. Mas a época ainda não terminou e o Europeu de Elite e de sub-23 ainda são objectivos”, declarou a atleta de 20 anos de idade.

Finalmente, João Pereira, que fará a sua estreia olímpica nos Jogos Olímpicos do Rio e que regressou hoje mesmo de um estágio em altitude, mostrou-se também muito entusiasmado com a perspectiva de competir em circunstâncias tão especiais:

“Não sinto pressão nenhuma. É um sentimento especial correr em frente ao nosso público. Fiz um bloco de treino bastante bom mas não sinto pressão ou stress. Ainda estamos a dois meses dos Jogos Olímpicos e ainda há muito para fazer. Não sinto pressão nenhuma. É um sentimento especial correr em frente ao nosso público e depois de ver a lista de participantes, percebe-se que vai ser uma prova com muito nível. Um bom resultado aqui, reflectirá um bom resultado no futuro”

Pereira aproveitou ainda para deixar um apelo ao público que se espera vir a encher as bancadas do MEO Arena, especialmente na sexta-feira, dia das provas de Elites:

“Vou sentir o calor do público português e depois de oito anos, voltar a ter um Europeu em Portugal…espero que venha muito público assistir e apoiar-nos.”